Bailinho na Madeira

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Nas recentes eleições na Madeira, o Partido Social Democrata (PSD) conseguiu uma vitória, mas foi uma vitória frágil, mesmo somando os votos do CDS, marcada por uma diminuição do seu apoio eleitoral, provavelmente por causa do escândalo de corrupção que provocou estas mesmas eleições antecipadas. Assim e, apesar de ter garantido a maioria, o PSD não conseguiu evitar a erosão do seu eleitorado.

A abstenção quase atingiu os 50%, refletindo um nível alarmante de desligamento e desilusão com o processo político no arquipélago. São urgentes reformas, uma maior transparência e responsabilização dos políticos para reconquistar a confiança do eleitorado.

Por outro lado, o Partido Socialista (PS) pouco mais conseguiu que manter os votos que tinha, mesmo depois do escândalo que fez cair o governo PSD, é um reflexo da insatisfação dos eleitores com as políticas e estratégias recentes do partido, quer nas ilhas quer no continente, que não conseguiram captar a confiança necessária para uma votação expressiva.

Uma das mudanças mais notáveis nestas eleições foi o desaparecimento da esquerda radical, com o Partido Comunista Português (PCP) e o Bloco de Esquerda a não conseguirem assegurar representação. Esta ausência sinaliza uma alteração significativa no panorama político da Madeira, confirmando a desilusão dos eleitores com as alternativas mais radicais da esquerda.

O Chega (CH) consolidou o seu eleitorado, confirmando-se como uma força política relevante na região. O partido conseguiu manter e até reforçar o seu apoio, capitalizando com temas que ressoaram com uma parte significativa dos eleitores madeirenses. Esta consolidação do Chega sublinha o crescente descrédito que a população tem em relação aos políticos tradicionais.

Adicionalmente, houve uma subida notável nos votos no Juntos Pelo Povo (JPP), um partido regionalista que surpreendeu. A sua mensagem regionalista e focada em questões locais parece ter caído muito bem ao eleitorado madeirense, refletindo um desejo por alternativas que se concentrem mais nas especificidades e necessidades da região.

Finalmente PAN e IL elegem um representante cada um, juntamente com o crescimento do JPP, fica clara a fragmentação política madeirense.

Em suma, estas eleições evidenciaram uma dinâmica política em mudança na Madeira, com uma vitória frágil do PSD, um PS em declínio, o desaparecimento da esquerda radical e a confirmação do Chega como uma força a ter em conta no futuro político da região.

Julio Alves

28/5/2024